OS
EFEITOS ORTOTRÓPICOS E PLAGIOTRÓPICOS EN PLANTAS (EN PORTUGÉS).
Afonso
Celso Candeira Valois, Engenheiro Agrônomo, Doutor em Genética e
Melhoramento de Plantas, Pesquisador Aposentado da Embrapa.
No
artigo disponibilizado por este autor de título “Tropismos e
Nastismos em Plantas” publicado recentemente na página do
Procitropicos, um dos destaques foi a referência aos fenômenos
ortotrópicos e plagiotrópicos. Para quem trabalha com plantas de
multiplicação vegetativa, trata-se de uma informação relevante,
pois nesse processo existem genótipos que respondem de maneira
diferente se no método for usada a multiplicação por estacaquia
oriunda de ramos ortotrópicos ou de ramos plagiotrópicos.
Quando
os ramos de onde serão retiradas as estacas forem ortotrópicos,
isto é, o crescimento vertical positivo for na direção da fonte de
estímulo, então as plântulas formarão indivíduos vigorosos,
produtivos e com outras características desejáveis da planta matriz
selecionada. Caso esses ramos sejam plagiotrópicos, isto é, de
crescimento formando ângulo em direção à fonte de estímulo, os
genótipos resultantes da multiplicação vegetativa por estaquia
serão geralmente fracos, pouco produtivos e com outras
características indesejáveis em relação à planta matriz. Um
exemplo marcante e que necessita do máximo de atenção é o que
ocorre com a pimenta-do-reino (Piper nigrum), pois como é sabido,
trata-se de uma espécie essencialmente de multiplicação vegetativa
por estaquia para o sucesso do agronegócio por ser alógama, e assim
se a multiplicação for por sementes sexuadas, as progênies
dificilmente repetirão o valor fenotípico e genotípico da matriz
selecionada para tal.
O
cultivo da pimenta-do-reino é uma atividade agrícola muito rendosa
especialmente em Tomé Açu (PA), mas de implantação bastante
onerosa, por envolver a implantação de tutores onde as pimenteiras
ficam sustentadas, além das outras atividades fitotécnicas como
manejo, tratos culturais, adubação, controle de condicionantes
biológicos e outras exigências culturais. Mas toda a previsão de
sucesso no empreendimento pode ficar prejudicada se não houver o
premente cuidado com a qualidade da muda a ser formada para
utilização no plantio. Se as mudas forem advindas de ramos
ortotrópicos, os genótipos advindos serão vigorosos, produtivos e
com as demais características vantajosas da planta matriz.
No
entanto, se no processo de formação das mudas houver um engano
capital tendo como origem a escolha errônea dos ramos selecionados
para o preparo das estacas, isto é, forem plagiotrópicos, as
plantas não terão o crescimento desejado tutorado, pois formarão
touceiras, com prejuízos marcantes na produção das pimentas.
Infelizmente, em grandes pimentais tem sido bastante comum
observar-se essas plantas denominadas de “pimenteiras de saia”,
que são imprestáveis ao agronegócio, sugerindo a imediata
substituição por parte do agricultor responsável pela plantação.
Isso enfatiza que a simples falta de atenção quanto ao detalhe do
tipo do ramo utilizado para a produção das estacas de plantio
significa uma tremenda perda de tempo e dinheiro no pimental!
EXEMPLO
ADICIONAL DOS EFEITOS ORTOTRÓPICOS E PLAGIOTRÓPICOS
A
propósito dos efeitos ortotrópicos e plagiotrópicos em plantas ,
um outro bom exemplo é o que ocorre em seringueira (Hevea spp), onde
também é utilizada a multiplicação vegetativa para a obtenção
de clones promissores. Trata-se de uma planta alógama e assim, a
reprodução por sementes sexuadas não repetirá a planta matriz
selecionada devido ao processo de segregação genética. No caso da
seringueira, a multiplicação vegetativa usual e pragmática é por
borbulhia, pela enxertia das gemas clonais em porta-enxertos
recomendados. Nessa planta existem dois tipos de gemas, isto é,
aquela localizada na base do pecíolo dos folíolos que é a mais
utilizada tanto na enxertia denominada marrom (preferida), como na
verde (que dependem do estádio de desenvolvimento do porta-enxerto).
O outro tipo é a gema de catafilo situada nos internódios da haste
clonal, que pode ser empregada na enxertia verde.
Em
ambos os tipos de gemas, a haste clonal da planta matriz tecnicamente
tem que ser oriunda de ramos ortotrópicos para possibilitar a
formação de mudas vigorosas. Caso, por engano, for empregado um
ramo plagiotrópico para a obtenção das gemas, o resultado será
desastroso quando da formação das mudas para plantio no seringal,
pois serão fracas, de crescimento lento. Um resultado negativo
bastante didático observado por este autor foi o crescimento em
ângulo reto à haste do porta-enxerto de uma plântula advinda dessa
multiplicação por borbulhia, que teve de ser descartada das demais
mudas que foram utilizadas no plantio definitivo do seringal. Um
outro aspecto também merecedor do máximo de atenção e cuidados
especiais é quanto à coleta de hastes em seringais nativos da
Amazônia, por exemplo, para a formação de bancos de germoplasma da
Hevea.
Devido
à exigência da coleta de ramos ortotrópicos que geralmente estão
no topo das seringueiras e estas alcançarem alturas de 30-40 metros,
trata-se de uma atividade perigosa. Para amenizar essa situação de
risco, perigo e possíveis danos, os coletores devem escalar as
plantas devidamente munidos de equipamentos de proteção individual
(EPI).
Fonte:
http://www.procitropicos.org.br/portal/conteudo/item.php?itemid=3120.
Acessado em 08/01/2015.