VÍRUS VERBAL: AS FRASES DE BOLSONARO SOBRE A PANDEMIA.
"E daí?",
"gripezinha", "não sou coveiro", "país de
maricas" : desde que o coronavírus chegou ao Brasil, Bolsonaro
tratou publicamente com desdenho a crise. Enquanto a epidemia
avançava, suas falas causavam ultraje.
"Superdimensionado"
Em 9 de março, em
evento durante visita aos EUA, Bolsonaro disse que o "poder
destruidor" do coronavírus estava sendo "superdimensionado".
Até então, a epidemia havia matado mais de 3 mil pessoas no mundo.
Após o retorno ao Brasil, mais de 20 membros de sua comitiva
testaram positivo para covid-19.
"Europa vai ser
mais atingida que nós"
A declaração foi dada
em 15 de março. Precisamente, ele afirmou: "A população da
Europa é mais velha do que a nossa. Então mais gente vai ser
atingida pelo vírus do que nós." Segundo a OMS, grupos de
risco, como idosos, têm a mesma chance de contrair a doença que
jovens. A diferença está na gravidade dos sintomas. O Brasil é
hoje o segundo país mais atingido pela pandemia.
"Gripezinha" e
"histórico de atleta"
Ao menos duas vezes,
Bolsonaro se referiu à covid-19 como "gripezinha". Na
primeira, em 24 de março, em pronunciamento em rede nacional, ele
afirmou, que, por ter "histórico de atleta", "nada
sentiria" se contraísse o novo coronavírus ou teria no máximo
uma “gripezinha ou resfriadinho”. Dias depois, disse: "Para
90% da população, é gripezinha ou nada."
Jair Bolsonaro
"Todos nós vamos
morrer um dia"
Após visitar o comércio
em Brasília, contrariando recomendações deu seu próprio
Ministério da Saúde e da OMS, Bolsonaro disse, em 29 de março, que
era necessário enfrentar o vírus "como homem". "O
emprego é essencial, essa é a realidade. Vamos enfrentar o vírus
com a realidade. É a vida. Todos nós vamos morrer um dia."
Brasilien
Corona-Pandemie (picture-alliance/NurPhoto/F. Taxeira)
"A
hidroxicloroquina tá dando certo"
Repetidamente, Bolsonaro
defendeu a cloroquina para o tratamento de covid-19. Em 26 de março,
quando disse que o medicamento para malária "está dando
certo", já não havia qualquer embasamento científico para
defender a substância. Em junho, a OMS interrompeu testes com a
hidroxicloroquina, após evidências apontarem que o fármaco não
reduz a mortalidade em pacientes internados com a doença.
Brasilien Coronavirus
Bolsonaro besucht Feldlazarett in Aguas Lindas (Reuters/A. Machado)
"Vírus está indo
embora"
Em 10 de abril, o Brasil
ultrapassou a marca de mil mortos por coronavírus. No mundo, já
eram 100 mil óbitos. Dois dias depois, Bolsonaro afirmou que "parece
que está começando a ir embora essa questão do vírus". O
Brasil se tornaria, meses depois, um epicentro global da pandemia,
com dezenas de milhares de mortos.
Brasilien Coronavirus
Präsident Bolsonaro Mundschutz (picture-alliance/AP Images/A.
Borges)
"Eu não sou
coveiro"
Assim o presidente
reagiu, em frente ao Planalto, quando um jornalista formulava uma
pergunta sobre os números da covid-19 no Brasil, que já registrava
mais de 2 mil mortes e 40 mil casos. “Ô, ô, ô, cara. Quem fala
de... eu não sou coveiro, tá?”, afirmou Bolsonaro em 20 de abril.
Brasilien Brasilia |
Jair Bolsonaro spricht zur Presse (Getty Images/A. Anholete)
"E daí?"
Foi uma das declarações
do presidente que mais causaram ultraje. Com mais de 5 mil mortes, o
Brasil havia acabado de passar a China em número de óbitos. Era 28
de abril, e o presidente estava sendo novamente indagado sobre os
números do vírus. “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu
sou Messias, mas não faço milagre...”
Brasilien | Jair
Bolsonaro (Reuters/A. Machado)
"Vou fazer um
churrasco"
Em 7 de maio, o Brasil
já contava mais de 140 mil infectados e 9 mil mortes. Metrópoles
como Rio e São Paulo estavam em quarentena. O presidente, então,
anunciou que faria uma festinha. "Estou cometendo um crime. Vou
fazer um churrasco no sábado aqui em casa. Vamos bater um papo, quem
sabe uma peladinha...". Dias depois, voltou atrás, dizendo que
a notícia era "fake".
Brasilien Jair Bolsonaro
(Reuters/A. Machado)
"Tem medo do quê?
Enfrenta!"
Em julho, o presidente
anunciou que estava com covid-19. Disse que estava "curado"
19 dias depois. Fora do isolamento, passou a viajar. Ao longo da
pandemia, ele já havia visitado o comércio e participado de atos
pró-governo. Em Bagé (RS), em 31 de julho, sugeriu que a
disseminação do vírus é inevitável. "Infelizmente, acho que
quase todos vocês vão pegar um dia. Tem medo do quê? Enfrenta!”
Bolsonaro ao microfone
"País de maricas"
Em 10 de novembro, ao
celebrar como vitória política a suspensão dos estudos, pelo
Instituto Butantan, da vacina do laboratório chinês Sinovac após a
morte de um voluntário da vacina, Bolsonaro afirmou que o Brasil
deveria "deixar de ser um país de maricas" por causa da
pandemia. "Mais uma que Bolsonaro ganha", comentou.
https://www.dw.com/pt-br/v%C3%ADrus-verbal-as-frases-de-bolsonaro-sobre-a-pandemia/g-54080275