segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Elo entre milícias, polícia e políticos no Rio de Janeiro.


Estudo da Rede Fluminense de Pesquisas sobre Violência, Segurança Pública e Direitos Humanos alerta para a atuação de milícias dentro do Poder Executivo e casas legislativas da região metropolitana do Rio de Janeiro.

O resultado da pesquisa feita ao longo de 1 ano foi divulgado nesta 2ª feira (26.out.2020) em uma nota técnica.

O documento (íntegra – 294 KB), batizado de “Controle Territorial Armado no Rio de Janeiro“, conclui que as conexões entre milícia e polícia estão se tornando estruturais. “Com presença crescente em favelas e bairros suburbanos, bem como nas cidades do Grande Rio, a expansão das milícias foi redefinindo os termos da própria metáfora da ‘guerra’”, diz trecho da nota técnica.

Durante a elaboração do documento, a organização debateu o controle territorial de grupos armados no Estado do Rio de Janeiro com promotores, policiais, jornalistas, ativistas e especialistas em dados.

O grupo destaca que a ligação entre criminosos e instituições legais ameaçam o Estado democrático de Direito. Há menos de 1 mês das eleições, a rede afirma que é preciso haver 1 esforço suprapartidário para garantir o voto livre e a proteção a candidatos.
Talvez essa expansão dos interesses milicianos a instâncias dos poderes legislativos locais guarde relação, ainda que parcialmente, com o elevado número de mortes violentas envolvendo candidatos a vereadores no último processo eleitoral municipal, em diversos municípios da região metropolitana do Rio de Janeiro.”
A rede afirma que é preciso tentar reverter o fenômeno. “Se ele se confirma e se consolida, conforma-se 1 quadro de banditismo político, de grupos que, historicamente, começaram guardando relações com elites locais para, posteriormente, assumirem protagonismo tanto nas atividades econômicas quanto no poder político”, lê-se no texto.
FORMA DE ATUAÇÃO
Para ganhar terreno, as milícias se aproveitam da sensação de insegurança existente em populações mais vulneráveis. Dessa maneira, controlam serviços para acumular poder político, econômico e social. Segundo a rede, a característica distintiva das milícias é a diversificação dos mercados em que atuam.
Há registro de atuação de milícias em serviços de transporte coletivo, gás, eletricidade, internet, agiotagem, cestas básicas, grilagem, loteamento de terrenos, construção e revenda irregular de habitação, assassinatos contratados, tráfico de drogas e armas, contrabando, roubo de cargas, receptação de mercadorias e revenda de produtos de diversos tipos e proveniências”, diz o texto.

Para o grupo, é urgente o monitoramento da relação das milícias com os poderes Executivo e Legislativo. “Na relação com o Estado, as milícias passariam a atuar não mais como grupos que precisam estabelecer alianças com os poderes instituídos, e sim como parte interna e orgânica ao aparelho estatal“, diz a nota.

As organizações criminosas têm, de acordo com a nota técnica, habilidade para transitar entre o legal e o ilegal” e atuam em “1 projeto ambicioso de tomada de poder do Estado“.

Fonte: https://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/estudo-alerta-para-elo-entre-mil%C3%ADcias-pol%C3%ADcia-e-pol%C3%ADticos-no-rio-de-janeiro/ar-BB1aoUsX?ocid=msedgdhp

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