Estudo
da Rede Fluminense de Pesquisas sobre Violência, Segurança Pública
e Direitos Humanos alerta para a atuação de milícias dentro do
Poder Executivo e casas legislativas da região metropolitana do Rio
de Janeiro.
O resultado da pesquisa feita ao longo de 1 ano foi
divulgado nesta 2ª feira (26.out.2020) em uma nota técnica.
O
documento (íntegra –
294 KB), batizado de “Controle
Territorial Armado no Rio de Janeiro“,
conclui que as conexões entre milícia e polícia estão se
tornando estruturais. “Com
presença crescente em favelas e bairros suburbanos, bem como nas
cidades do Grande Rio, a expansão das milícias foi redefinindo os
termos da própria metáfora da ‘guerra’”,
diz trecho da nota técnica.
Durante
a elaboração do documento, a organização debateu o controle
territorial de grupos armados no Estado do Rio de Janeiro com
promotores, policiais, jornalistas, ativistas e especialistas em
dados.
O
grupo destaca que a ligação entre criminosos e instituições
legais ameaçam o Estado democrático de Direito. Há menos de 1 mês
das eleições, a rede afirma que é preciso haver 1 esforço
suprapartidário para garantir o voto livre e a proteção a
candidatos.
“Talvez
essa expansão dos interesses milicianos a instâncias dos poderes
legislativos locais guarde relação, ainda que parcialmente, com o
elevado número de mortes violentas envolvendo candidatos a
vereadores no último processo eleitoral municipal, em diversos
municípios da região metropolitana do Rio de Janeiro.”
A
rede afirma que é preciso tentar reverter o fenômeno. “Se ele
se confirma e se consolida, conforma-se 1 quadro de banditismo
político, de grupos que, historicamente, começaram guardando
relações com elites locais para, posteriormente, assumirem
protagonismo tanto nas atividades econômicas quanto no poder
político”, lê-se no texto.
FORMA
DE ATUAÇÃO
Para
ganhar terreno, as milícias se aproveitam da sensação de
insegurança existente em populações mais vulneráveis. Dessa
maneira, controlam serviços para acumular poder político, econômico
e social. Segundo a rede, a característica distintiva das milícias
é a diversificação dos mercados em que atuam.
“Há
registro de atuação de milícias em serviços de transporte
coletivo, gás, eletricidade, internet, agiotagem, cestas básicas,
grilagem, loteamento de terrenos, construção e revenda irregular de
habitação, assassinatos contratados, tráfico de drogas e armas,
contrabando, roubo de cargas, receptação de mercadorias e revenda
de produtos de diversos tipos e proveniências”,
diz o texto.
Para
o grupo, é urgente o monitoramento da relação das milícias com os
poderes Executivo e Legislativo. “Na
relação com o Estado, as milícias passariam a atuar não mais como
grupos que precisam estabelecer alianças com os poderes instituídos,
e sim como parte interna e orgânica ao aparelho estatal“,
diz a nota.
As
organizações criminosas têm, de acordo com a nota
técnica, “habilidade
para transitar entre o legal e o ilegal”
e atuam em “1
projeto ambicioso de tomada de poder do Estado“.
Fonte: https://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/estudo-alerta-para-elo-entre-mil%C3%ADcias-pol%C3%ADcia-e-pol%C3%ADticos-no-rio-de-janeiro/ar-BB1aoUsX?ocid=msedgdhp