Nesse momento o Brasil acaba de chegar aos 1000 casos de infectados
(21/03/2020 - 21:15)
Nessa
semana que termina hoje eu conversei com muita gente pra decidir como
o TIB vai navegar nas próximas semanas. Em um ao vivo no Instagram
(segue a gente clicando aqui), falei com a economista Mônica de
Bolle. Ela deu a receita imediata que o governo Bolsonaro deveria
estar tomando mas não está: investimento de dinheiro público
equivalente a 4% do PIB no sistema de saúde e, sobretudo, nas
pessoas. Aumentar o Bolsa Família; instituir renda mínima a dezenas
de milhões de brasileiros pobres que, agora, serão jogados na
desgraça, como escreveu a Rosana.
O
que a Mônica está fazendo em seu twitter? Mostrando o que muitos
querem esconder. O futuro não parece nada bom. Vocês têm o direito
de saber disso: a economia vai afundar, nas projeções mais
otimistas, uns 4%. A Mônica acha que vai ser ainda pior: -6%. De
todo modo, será a maior queda da série histórica de medição do
PIB, que começou em 1962.
Se
o número de infectados seguir dobrando a cada 54 horas, como disse a
Cecilia, no próximo sábado esta newsletter estará comentando
tristemente os mais de 10.000 casos no Brasil, e contando as dezenas
de mortes, a insuficiência dos hospitais, o caos e o horror de uma
pandemia que está longe de acabar. Na Itália de seus 5,1 mil leitos
de UTI, metade estão ocupados por pacientes de covid-19 – e
lembrem que todas as demais patologias e acidentes seguem acontecendo
no país. Os acidentes de carro, os infartos, os pacientes terminais
de câncer, tudo isso ainda acontece todos os dias.
O
sistema ruiu. Um em cada dez infectados é médico ou enfermeiro, e
eles precisam ser substituídos – eventualmente por médicos
venezuelanos, cubanos e chineses. Até dois dias atrás, 14 médicos
tinham falecido por covid-19 no país. Em conversas com amigos
italianos, eles estão chamando o momento histórico de Terceira
Guerra Mundial. É como todos se sentem.
Vocês
precisam saber dessas coisas por que precisam se preparar, como os
80% de italianos que ‘acreditavam fortemente’ que a mídia
exagerava ao reportar sobre o impacto da doença também precisavam.
É hora de conscientizar amigos e familiares de que a situação,
para muitos, será dramática. Mas é preciso também cuidar da
cabeça, ter empatia, pensar no vizinho como alguém que você pode
ajudar a salvar. Chegou a vez de tentar com todas as forças viver
uma vida comunitária nos pequenos gestos de amor.
Em
janeiro de 1983, em apenas duas semanas, Françoise Barré-Sinoussi e
sua equipe descobriram o HIV – o vírus que causa a Aids. Em um
depoimento nesta semana, ela disse, sobre a missão de um cientista:
“Tentar trazer algo importante para a sociedade, para os outros. Se
você fizer isso, no fim de sua carreira você se sentirá bem.”
Vale pra todos nós.
Toque
de cotovelo e bom final de semana,
Leandro
Demori - Editor Executivo