INFECTADOS
POR COVID-19 PODEM SER DE 5 A 30 VEZES O DADO OFICIAL.
Pesquisadores
americanos que estudam a propagação do novo coronavírus estimam
que o número real de casos pode ser de cinco a 30 vezes maior do que
o divulgado oficialmente. Apenas no estado de Massachusetts, nos EUA,
onde o cálculo foi feito, os especialistas avaliam que o número de
pessoas infectadas possa ser de 1.970 a até 6,5 mil pessoas, a
depender da metodologia utilizada. O dado oficial fala em 218 nesta
terça.
Um
estudo publicado ontem na revista Science usa como base pesquisa
epidemiológica e dados de celulares para concluir que, no início da
pandemia, apenas um em cada sete casos foram detectados em Wuhan, na
China. Assim, boa parte das contaminações foi causada por pessoas
aparentemente saudáveis.
“Estamos
vendo apenas a ponta do iceberg, e a pergunta é: quanto do iceberg
está submerso?”, afirmou Jeffrey Shaman, professor da Universidade
Columbia e coautor do texto. Segundo ele, apenas no estado americano
o número, que oficialmente é de 218, pode chegar a 2.180 casos.
Esta metodologia considera que o governo americano detecte algo entre
um caso em cada cinco e um caso em cada dez.
Casos
confirmados sobem para 291 no Brasil; suspeitas ultrapassam 8 mil
Contágio local e agravamento rápido marcam 1ª morte por
coronavírus no país Infectologista: morte por coronavírus não
deve gerar pânico, mas precaução.
Como
acontece no Brasil e em outras partes do mundo, o estudo aponta para
número de pessoas infectadas e não testadas, especialmente as
assintomáticas, que não entram nas contabilidades oficiais. São
casos considerados mais perigosos para a disseminação da covid-19
por não fazerem o isolamento recomendado.
Em
outra análise, o especialista em doenças infecciosas Samuel
Scarpino, da Universidade Northeastern, aplicou um algoritmo
desenvolvido pela Universidade de Notre Dame para concluir que,
apenas no estado, o número de pacientes pode chegar a 6.540 ou mais.
A metodologia considera que os EUA detectem algo entre 1 caso a cada
dez e 1 caso a cada 30. O dado é agravado, na análise dos
especialistas, pelo baixo índice de testes aplicados nos Estados
Unidos se comparado a outros países.
Em
Wuhan, o número de casos que escapavam à detecção caiu
drasticamente para 35% depois que as autoridades aumentaram os testes
e impuseram quarentenas e restrições de viagem.
Os
pesquisadores concordam que é essencial aumentar o número de testes
realizados a fim de esclarecer o risco real a que a população está
submetida. “Os achados indicam que um aumento radical na
identificação e no isolamento das infecções são necessários
para controlar devidamente o vírus”, escreve Shaman.
https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2020/03/17/infectados-por-coronavirus-pode-ser-maior-que-numeros-oficiais-diz-estudo.htm
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