Evento
realizado na capital paraense movimenta R$ 2 milhões e investe na valorização
do chocolate de origem. Participaram 52 expositores de chocolate e derivados e
outros 37 de outros produtos.
Cerca
de 30 mil pessoas passaram pelos estandes do 4º Festival Internacional do Cacau
e Chocolate, encerrado no último domingo (25/9), no Centro de Eventos Hangar,
na capital paraense, Belém. Mesmo com investimento menor, R$ 700 mil ante o R$
1 milhão do ano passado, o festival agradou público e organizadores devido à
qualidade dos produtos apresentados e à maior conscientização dos participantes
sobre a importância de se valorizar os produtos de origem, agregando valor ao
cacau produzido no Estado.
Segundo
o empresário baiano Marcos Lessa, que organizou o festival a convite do governo
paraense, o evento somou R$ 2 milhões em negócios nos quatro dias e projetou
outros R$ 5 milhões em negócios futuros. Participaram 52 expositores de
chocolate e derivados e outros 37 de outros produtos. Na organização, Lessa
teve a parceria de 17 instituições do Estado, entre elas o Sebrae.
Ele
conta que o Festival, iniciado em 2013, já proporcionou a instalação de duas
novas agroindústrias de cacau no Pará. Outras três estão em planejamento.
“Fomentar a verticalização significa agregar valor ao produto e colocar o cacau
no mesmo caminho percorrido pelo vinho e pela cerveja, com investimento em
valorização da origem e abertura de mercado no exterior. Isso gera mais renda e
empregos para o Estado. ” E há muito espaço para crescer: atualmente, o Pará
processa apenas 3% do cacau que produz.
No
primeiro festival, apenas uma marca de chocolate local expôs seus produtos.
Neste ano, o número subiu para seis. Uma das marcas mais procuradas no evento
foi a Nayah - Sabores da Amazônia, indústria nascida e ainda mantida como
empresa incubada na Universidade Federal do Pará. A engenheira de alimentos e
professora universitária de gastronomia Luciana Ferreira Centeno, que criou a
fábrica de chocolates em 2015 com uma sócia, após ganhar um prêmio de inovação
em competição na Unesco, conta que a marca tem foco no mercado regional e já
está presente em Manaus e Ilhéus, além de buscar parcerias para chegar a outros
Estados.
Neste
ano a Nayah, nome inspirado na índia da lenda da Vitória Régia, lançou no
festival uma linha de cinco chocolates de origem intitulada Terroir Amazônia
com 70% de cacau – a lei brasileira determina que é preciso pelo menos 25% de
cacau para o produto usar o nome de chocolate, mas o setor briga para que o
mínimo volte a ser 35%. A matéria-prima da nova linha veio das cidades
paraenses que mais produzem a amêndoa: Medicilândia, Tomé-Açu, Barcarena, Ilha
do Combu e Tucumã.
No
primeiro semestre, a indústria já havia lançado uma edição limitada com cinco
barras de 400 g que evocam pontos turísticos de Belém, em comemoração aos 400
anos da cidade. Da pequena linha de produção semi-artesanal saem ainda
chocolates de 40 g, 50 g e 5 g, além do tablete de cupuaçu. A Nayah tem
capacidade de produzir 500 kg de chocolate por mês, mas ainda trabalha com 60%
desse volume. “Nossa marca tem um compromisso com o desenvolvimento sustentável
da Amazônia”, diz Luciana, que só trabalha com fornecedores locais.
O
festival teve a participação também de cooperativa de bombonzeiras do Pará e
expositores de outros Estados, como a Bahia. Um estande internacional chamou a
atenção dos visitantes: Jorge Ferreira, dono da empresa portuguesa Meia Dúzia,
apresentou suas geleias de frutas acondicionadas em bisnagas. O empresário
planeja acrescentar ao portfólio dos seus produtos geleias produzidas com
cupuaçu e outras frutas típicas brasileiras.
Neste
ano, o Estado do Pará, que tem 160 mil hectares de área plantada de cacau, deve
assumir a liderança do ranking nacional de produção da matéria-prima do
chocolate, ultrapassando a Bahia, que teve quebra recorde de safra devido à
seca. A estimativa é uma produção de 116 mil toneladas de cacau, um crescimento
de 68% em 5 anos, ante a projeção de 105 mil toneladas da Bahia. A
cacauicultura emprega 230 mil pessoas no Pará, segundo números da Secretaria de
Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap).
Flor
e joias - Simultaneamente ao festival de cacau, foi realizado no Hangar de
Belém a 16ª Flor Pará, exposição de espécies cultivadas na Amazônia. Também
foram apresentadas semijoias produzidas por designers e microempresários do
Programa Polo Joalheiro do Pará. O evento teve ainda palestras, rodadas de
negócios, workshops e oficinas de gastronomia.
POR
ELIANE SILVA*, DE BELÉM (PA)* A jornalista viajou a convite do 4º Festival Internacional
do Cacau e Chocolate.
Acessado
em 30/09/2016. Fonte:
http://revistagloborural.globo.com/Noticias/Agricultura/noticia/2016/09/festival-do-cacau-e-chocolate-de-belem-recebe-30-mil-pessoas.html
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